''VINCENT: All right, Mia. So, Listen,
I gotta go, all right?
Oh! Jesus fucking Christ!''
Quentin Tarantino, Pulp Fiction
I
O planeta Terra voltara a ser interessante para aquelxs quatro CsOs que tomavam café da manhã em uma movimentada padaria paulistana.
Jonas: vocês já se perguntaram alguma vez na vida, porque nós sentimos fome?
Luiza: cara, eu não sei. Só sei que esse café está bem melhor que a bosta do rango do Betão!
Betão: filha da puta! Dá próxima vez você será a cozinheira!
Jonas: é sério, cassete! Essas coisas às vezes vem na minha cabeça… tipo, porque porra temos que comer, beber, cagar e mijar? Porque já não nos projetam sem essas funções idiotas?
Ana: pode crer… eu preferiria ser o C3PO do que ter que comer essa merda de comida que o Betão faz!
Betão: vocês duas vão tomar no cu!
Jonas: a gente pensa que o sistema-radícula é quem nos mantem relativamente livres, mas eu me sinto mesmo é numa liberdade vigiada nessa porra…
Luiza: eu acho que misturar feijão com grão de bico dá bosta. Se o Betão seguisse alguma regra a comida seria mais agradável…
Ana: tipo aquelas pirâmides alimentares… e outra: aproveitar a mesma carne em três cardápios é coisa de cusão!
Betão: nunca mais encosto num catso de panela!
Jonas: tipo, se eu não me oferecer para trabalho algum, eu continuo pela estação central, acompanhando a galera, como se fosse uma sombra vagando pelos corredores… mas tem algo que impede a gente de fazer isso. Algo que nos corrói por dentro e diz: cara, você precisa levantar hoje e se inscrever em algum trampo. Nem que for para cozinhar uma merda de uma gororoba que ninguém aguenta engolir.
Betão: Jonas… você é um filho da puta!
II
Jonas: caralho Ana! Olha pra mim, Ana! Fica comigo, caralho! Não desmaia!
O uniforme bege de Ana estava ensopado por uma mancha vermelha de sangue que também sujava as roupas e as mãos de Jonas. Ele fizera de tudo para estancar a ferida. Ela já estava sem cor, mas ainda consciente. Respirava rápido e fundo, com certa dificuldade. Os dentes brancos também estavam manchados com um pouco de sangue e os olhos pareciam olhar um vazio em direção ao rosto de Jonas. Ana estava morrendo. O blaster que a atingiu conseguiu varar seu estômago.
Ana: por… por que… eles… estavam lá?
Jonas: para de falar Ana! Fica comigo!
Ana: eu… vou… morrer Jonas. Aquele… filho… da puta… me acertou… na barriga. Se eu …não… for para a estação… em uma hora… eu vou morrer.
Jonas: a gente precisa… cadê aquele filho da puta do Betão? Porque ele começou aquele tiroteio maluco? A Luiza…
Ana: está…tudo bem… se eu… morrer agora… está tudo bem.
Jonas: cala a porra da boca! A Luiza vai chegar, eu vou esperar o Betão, a gente vai voltar há tempo contigo pra estação, vamos encher o cu de cachaça e trocar as turmalinas com aquele filho da puta do Olho-seco.
Ana: não… sonha… Jonas. Vocês vão… pra mim… já deu… vou virar equação… vou voltar pra lógica da radícula… vou ser randomizada nessa porra!
Jonas: cala a boca, Ana! Fica comigo, caralho!
III
Jonas e Luiza estavam sentados em uma das milhares salas de recepção da estação espacial, enquanto aguardavam ordem para partir em missão terrestre. A garrafa de cachaça já estava pela metade.
Jonas: Qual o interesse das turmalinas para uma frota estelar direcionada por um sistema-radícula e povoada por milhares de CsOs?
O dedo anelar de Olho-seco exibindo um grande anel com uma pedra parecida um rubi precioso cravada o enfeitando vinha a cabeça de Jonas.
Luiza: você pergunta por idiotia ou imaturidade?
Jonas: tá de cu virado hoje?
Luiza: só to meio puta com pergunta babaca.
Jonas: vá se foder.
Luiza: a turmalina é um dos minerais de substituição isomórfica mais cobiçados…
Jonas: do universo?
Luiza: que porra de universo… para o Olho-seco. E agora para nós. Para o sistema-radícula.
Jonas: Para outros piratas também. Os Zento, por exemplo.
Luiza: Ta sabendo que os Zento tão interessados na turmalina para enfeitar os corredores de uma porra de uma estação de trabalho qualquer? O Olho-seco também parece que vai nesse embalo. Mas ele ainda tem aquela piração da radiestasia.
Jonas: malucos do caralho. Mobilizar toda uma equipe…
Luiza: Ainda bem… sobra trampo pra gente. Enfiamos umas migalhas de turmalina no cu daqueles babacas e eles garantem que a gente perambule por aí por mais um punhado de anos.
Jonas: como assim?
Luiza: Você tá meio abobalhado, Jonas. A turmalina que a gente conseguir, trocamos por uma porrada de cristais piezoelétricos muito mais condutores que aquela bosta. Uma pedra de turmalina do tamanho da tua cabeça seria suficiente para alimentar por um século toda a energia necessária da nossa tripulação. Só que essa merda ta em extinção. Na Terra, só quem tem turmalina são aqueles asiáticos paulistanos filhos da puta. Então, a gente é contratado pra fazer emboscada e pegar os cristais que estão nos cofres desses caras.
Jonas: você leva fé que a gente foi co-optado pelo Olho-seco para ir atrás de uns orgânicos malucos na Terra?
Luiza: Olho-seco manda, o sistema-radícula obedece. Sempre foi assim. A gente é refugo de uma parada maior. A gente é merda. Tem quem diga que o sistema-radícula é um pedacinho de vírus sináptico de um desses marajás. Qual a tua? Tá querendo virar Jesus Cristo?
Jonas: fico pensando no esforço que temos pra entregar de bandeja uma porra dessa, só para aquele filho da puta chapar a cabeça em radiestasia.
Luiza: se é que a radiestasia existe. Eu acho que é porre de príncipe que nunca tomou um goró forte por aí. Ahh, to meio chapado, já to me sentindo radiestasiado! Esse monte de brilhinho na cara… aaaaahh como eu to radiestasiado!
Parecia que os nanorobôs conseguiam amenizar um pouco a insuficiência respiratória e as dores de Ana com injeções de adrenalina controlada. Ela conseguia, pelo menos, se escorar no corrimão da escada do galpão, enquanto assistia um Jonas angustiado, andando de um lado para o outro.
Jonas: foi o filho da puta do Betão! Ele nos traiu! Ele é um vírus sináptico.
Ana: ninguém traiu a gente, Jonas. Foi coincidência.
Jonas: Coincidência? Aqueles asiáticos do caralho! Eles escondiam muambas! Nada mais que isso!
Ana: deveríamos ter estudado melhor a…
Jonas: Cala a boca! Cala a porra dessa boca! A Luiza passou meses planificando tudo! Meses! A gente tinha drones mapeando o local! Qualquer movimento da segurança, qualquer civil armado, seria notificado pelos microrobôs! A menos que…
Ana: eles estivessem criptografados.
Jonas: e você acha que foi…
Ana: coincidência. Deveríamos ter previsto isso. Vacilamos.
Jonas: o Betão. Ele foi o primeiro a abrir fogo e depois caiu fora. Filho da puta!
Ana: ele desesperou.
Jonas: Ele sabia! Aquele filho da puta sabia! Porque, caralho, o sistema radicula autorizou ele, se ele não tinha preparo pra missão?
Ana: Daqui a pouco ele está chegando e age…
A voz de Ana foi cortada por um ataque convulsivo. Os nanorobôs faziam o que podiam, mas o tiro provavelmente afetara o funcionamento de órgãos vitais, o que impossibilitava a cura repentina da lesão.
IV
O blaster de Jonas estava apontado para a cara do Betão e o blaster do Betão estava apontado para a cara de Jonas.
Jonas: como você conseguiu sair de lá vivo, filho da puta?
Betão: abaixa essa porra, Jonas. Não vou falar de novo.
Jonas: a Ana tá indo pro caralho por sua culpa, seu cusão. Como você saiu de lá vivo? A gente estava cercado.
Betão: eu estava na retaguarda, cobrindo vocês. Quando eu percebi que não tinha asiático nenhum trabalhando nas muambas, eu saquei a embocada. O filho da puta do Olho-seco queria a turmalina e não ia nos pagar pelo serviço.
Jonas: e com quem ficou a turmalina, seu cusão? Você apagou a Luiza e veio me apagar, achando que a Ana tinha se fudido lá.
Betão: não viaja cacete.
Jonas: Fala, filho da puta!
Betão: a turmalina ta com a Luiza. Ela pipocou uma galera, na troca de tiros. Logo que ela enfiou vocês no carro e você deu fulga, ela foi cercada pelos asiáticos e uns ciborgues loucos que apareceram também. Parecia Gear of War, aquela merda toda. Eles pensaram que eu tinha vazado e aí eu surpreendi dois ciborgues na tocai, prontos para arrebentar a cabeça da Luiza. Daí começou um tiroteio de novo. Era civil correndo, civil sem perna, civil com cabeça explodida. Tudo no inferno da 25 de março. A turmalina tá com ela!
Jonas: porque ela não chegou ainda?
Betão: sei lá. Talvez no caminho, ela tenha se fodido.
Jonas: cacete! Sem ela a gente não volta!
V
Quando se é um CsO a morte não é o fim de sua passagem no universo. A condição orgânica em deixar de existir foi superada pelos inúmeros servidores e backups que garantem um upload da mente perdida, randomizado em um novo corpo. Interessante que não foi atrativo para muitas IAs que gerenciam os sistemas-radículas das estações espaciais piratas manter o mesmo corpo de seus CsOs sempre. Alguns CsOs, de alguns exoplanetas colonizados por uma memória onihumana são congelados em sua aparência inicial e só potencializam a capacidade cognitiva ao longo do tempo, como se o fim de um corpo fosse apenas um processo cirúrgico e o despertar, uma retomada de uma anestesia geral. No entanto, isso ficou conhecido na memória coletiva do universo como uma prática um tanto quanto bizarra. Imagina um mundo inteiro povoado sempre pelas mesmas pessoas? O comum era que os CsOs, ao terem seus corpos destruídos, tinham suas memórias randomizadas no sistema-radícula e ofertadas a um novo corpo. A experiência de dois ou mais CsOs comumente eram conjugadas em um único novo corpo e, não raro, o CsO tinha memórias familiares de múltiplas realidades vividas. Isso aumentava bastante a capacidade sináptica e cognitiva da própria estação espacial pirata.
A angústia de Ana e de todo CsO com a morte não era, então, o fim de sua existência. No entanto, o medo da morte ainda rondava a vida dos CsOs. A morte significava para um CsO o fim de uma experiência de vida. A morte era o fim das experiências que um CsO desfrutava no instante que vivia, posto que jamais ele conseguiria se encontrar novamente com o mesmo grupo de CsOs, naquelas conjunturas tão específicas. A morte era o fim do tempo presente para um amanhã (in)certo e (im)preciso. Ana viveria de múltiplas formas e exploraria todas as estrelas do universo. No entanto, jamais viveria novamente daquele jeito, como aquela Ana.
Jonas notou que os simuladores de funções vitais de sua parceira deixaram de funcionar. Aquele era o sinal de que o CsO perdera a autonomia daquela memória que retornava para o sistema-radícula. Jonas e Betão seguiram o protocolo comum dos CsOs e certificaram que Ana morreu.
VI
Luiza abre a porta do galpão e se depara com uma cena que ela não contava: Jonas e Betão, um apontando a arma para o outro, Ana em processo de randomização com o corpo morto. Tomada de um ímpeto de espanto, enunciou:
Luiza: que merda… aconteceu… aqui?
Betão foi o primeiro a abaixar a arma.
Betão: não te disse que ela estava viva, seu puto?
Jonas: Luiza… que merda… o que aconteceu?
Luiza: eu é que pergunto… que bosta foi aquela? Estávamos seguindo exatamente o que foi planejado. Os drones infiltrados não nos alertaram de nenhuma atividade armada. Tava mamata. Nós identificamos o prédio na 25 de março, nos infiltramos na multidão, hackeamos o porteiro eletrônico, entramos pelas escadas de incêndio. A menos que não houvesse bola cantada, ninguém deveria ter nos visto. Jonas e Ana foram em direção à porta 47, no 4 andar. Eu e Betão ficamos na boca da escada de escolta. Nenhum de nós dois nos emocionamos. Nenhum de nós dois queimamos a largada. Quando Ana abriu a porta, veio o aviso do meu drone, junto do drone de Betão: perigo de atividade armada. Foi o tempo do Betão, com reflexo do capeta, tirar o blaster da cintura, ativar o termovision e charutar a cabeça do chinês detrás da porta. Daí a porra toda começou.
Jonas: a questão é…
Betão: a questão é que você tá ficando maluco, seu porra! Você achou que eu tava com vírus sináptico! Vá tomar no seu cu!
Jonas: calma Betão, desculpa. Mas, como caralho os asiáticos sabiam de nós? Eles fizeram tocaia.
Luiza: só que os filhos da puta não tem tecnologia espacial. Ponto pra nós!
Betão: a questão agora é outra… com quem ficou a turmalina?
Luiza tira a mochila das costas com um sorriso estampado no rosto.
Betão e Jonas se aproximaram de Luiza e deslumbraram o brilho da pequena pedra azul disforme. Por um instante, pareciam extasiados… seria aquele efeito de leseira mental a tal radiestesia? Luiza fechou a mochila.
Luiza: a questão é: eu verifiquei passo a passo, quarteirão por quarteirão, rua por rua daqueles cortiços todos. O plano era impossível de dar bosta, a menos que alguém soubesse passo a passo o que estávamos fazendo. Tem um vírus sináptico entre nós e eu duvido que esse vírus seja o Olho-seco.
Os três se emudeceram deixando o silêncio alimentar as sinapses eletrocognitivas que vasculhavam e varriam um ao outro, em busca de anomalias de sistema.
VII
Olho-seco terminava de comer um hambúrguer de fast-food na Voluntários da Pátria. Cagara todo o contorno da boca com a maionese caseira e deixava Jonas e Ana horrorizados com a quantidade de porções batatas-fritas que ainda tinha na mesa.
Olho-seco: porque nós sentimos tanta fome?
Jonas: bem… é… Olho-seco… nós…
Olho-seco: Hein?!
Ana: o Jonas… gostaria de saber como o senhor conseguiu o rastro dessa turmalina.
Olho-seco: o que tá acontecendo com ele, que parece meio abobalhado? Vocês conhecem São Paulo? Cada quadra e cada esquina dessa cidade tem a amplitude de uma viagem intergalática. Você dobra uma esquina, com a roupa certa e a pergunta pronta na cabeça e você consegue explorar mundos inteiros em cada um desses buracos povoados por ratinhos orgânicos.
Ana: ou o que sobrou deles…
Olho-seco: então você acha que não tem mais vida orgânica na Terra?
Ana: não sei… isso não é assunto meu. Eu to interessada nas pedrinhas azuis.
Olho-seco sorriu.
Olho-seco: sim sim sim. Descendo essa rua, tem uma minigaleria que vende de tudo. De eletrônicos a roupas, calçados, comida barata, implantes ciborgues clandestinos. Lá tem um empregado que trabalha para um chinês que distribui paths para o VR Discovery, uma porra de game eletrônico que te transforma em um voyeur de bacanas em outros planetas. Um vendedor gente boa, conhecido meu por anos - eu inclusive vendi para ele uns pedaços de peças de CsOs mortos para ele dar uma tunada nos membros andróides dele - depois de receber as notas certas, comentou de um tal cristal azul que o chinês exportava do triângulo mineiro e guardava em um dos cofres de um cortiço na 25 de março.
Jonas parecia estar com a cabeça atordoada, como se sofresse de uma virose intelectual. Somente Ana cuidava de armazenar em sua memória todos os detalhes daquela narrativa.
VIII
Jonas consegue contatar a estação espacial pela rede interneural que até então era exibida como fora do ar.
Jonas: galera, consegui contato com a estação. A situação era delicada: informar ao sistema-radícula que perdemos um membro da equipe vai nos tornar uns párias lá dentro.
Betão: vamos enviar à tripulação o saldo final da missão. Eles vão reconhecer nosso esforço pela recompensa recebida.
Luiza: seremos, então, os péssimos mercenários caçadores de cristais que conseguiram cagar com um quarteirão inteiro de civis em uma área comercial terrestre.
Betão: certas coisas valem mais que outras: a perda de Ana e a mancha no currículo de nossa equipe parece que nos leva a considerar o inconsiderável: vamos fugir com a turmalina e abraçar a condição de renegados do sistema-radícula. A gente passa fácil por orgânico, com toda tecnologia espacial que temos.
Jonas: viver como pária significa abraçar uma vida enraizada nessa merda de planeta.
Luiza: eu não nasci para ser colonizadora.
Betão: nenhum de nós.
Jonas: podemos emitir radiofrequências falsas para piratas intergaláticos inexperientes e na primeira oportunidade, roubar uma espaço-nave.
Betão: Tá achando que a vida é video-game. Se infiltrar em uma tripulação como um vírus-sináptico; simular harmonia entre os CsOs até sermos desmascarados; voltarmos para o sistema-radícula como a sinapse mais merda do universo.
Luiza: de boa, isso também vai contra meu projeto de vida.
Enquanto discutiam, nenhum deles notou que as funções vitais de Ana retornavam. Somente Luiza foi capaz de ouvir e presenciar os dois disparos certeiros, um em cada cabeça inorgânica de seus companheiros Jonas e Betão. O terceiro tiro que lhe encaminhou para a randomização ela não conseguiu ouvir, mas o novo corpo randomizado lembraria do baque que os miolos sintéticos tomaram antes de se espalharem no chão.
IX
Jonas escutava a conversa entre dois CsOs de uma equipe qualquer, enquanto tomava café da manhã na estação espacial.
Nunca entendi direito o que é um vírus sináptico.
Um vírus sináptico é uma intromissão qualquer em uma especulação neural. Vamos supor, você tá ligado que é errado pegar essa xícara de café e explodir ela na minha cara. De repente, você é tomado por uma carga sináptica que sinaliza o contrário e força parte de seu organismo a reagir de outra forma, estourando minha cara com a porcelana.
Saquei. E porque um vírus sináptico é tão prejudicial em uma estação espacial como a nossa?
Primeiro, você tá ligado de onde vem o sistema-radícula que alimenta todo o funcionamento dessa estação né? Lembra quando os terráqueos desejaram explorar outros mundos pelo upload mental?
Sim, claro. Só os playboys ofereceram uma cópia de seu cérebro como matriz para a Inteligência Artificial que colonizaria exoplanetas em condições de vida terrestre.
Exatamente. O projeto de colonização foi perfeito, todos dizem. Mas ninguém lembra que o processo de experimentação desencadeou uma porrada de vírus comprometiam estações espaciais inteiras. As tomadas de decisões das IAs deixaram um mundo de espaçonaves vagando pelo espaço. Até hoje, se bobear, você encontra nave por aí, com IA despirocada. Correções e mais correções foram necessárias até a primeira nave chegar em Kepler 186f. Quando chegou, a própria IA deu início a produção mais controlada de CsOs que viveriam e colonizariam aquele exoplaneta.
Tá, isso to ligado.
Acontece que os vírus continuam a infectar a IA e a medida mais segura para se livrar deles é gerar um número gigantesco de lixo espacial. A IA infectada tinha um sistema de defesa que lançava para fora da espaçonave, em partes inoperantes de sucatas, aqueles agentes que causariam problema para o restante da tripulação. Esse resíduo de vírus infectado, se sobrevivesse, fundava sua própria estação longe daquela estação de origem. Daí estamos nós aqui, esse monte de pirata intergalático maluco perambulando o espaço, caçando cristal e bateria para se manter vivos.
Nossa senhora hein… muito obrigado pela aula professor.
Vá se foder!
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